O tempo que
estive no hospital, creio que encontrei dois novos amigos, fora os outros! Um
deles veio numa visita a pedido meu, mesmo sem saber quem viria! (Já referi o nome
atrás, não voltarei a fazê-lo por uma questão lógica, mas dá para entender quem
é!) Nessa noite deixou-me bem aconchegadinha com a figura daquela senhora junto
ao peito. Dizem que faz milagres, eu não sei, a verdade é que tem um elevado
número de pessoas, a quem se pode chamar de seguidores e eu considero-me um
deles. Digo isto, porque à Eira correm todos os meses centenas de pessoas só
para o verem. Não sei se o senhor faz ou não milagres, a verdade é que depois
de me deixar aconchegadinha e pronta para a minha última noite dolorosa,
dirigiu-se a uma bebé cabo-verdiana, se não estou em erro, que estava muito mal
e em coma induzido e deu-lhe a bênção. No dia seguinte a menina
estava bem, fora do coma e parecia um passarinho!
O meu
segundo amigo é capelão do hospital, o Pe. Carlos Azevedo, que eu faço questão
de visitar sempre que vou ao hospital.
Assim
que comecei a andar, fiz questão de começar a ir à missa. E assim foi no dia
seguinte comecei a ir. No final da missa, o padre veio falar comigo, disse que
já tinha ouvido falar muito de mim (a minha grande questão é quem não ouviu
falar de mim naquela casa?!). Mostrou-se triste por não ter sido ele a fazer-me
o aconchego naquela noite, mas quando soube quem o fez mostrou-se bastante
satisfeito por não ter atendido o telefone.
-
Aquele homem é uma paz de alma, uma pessoa até parece que levanta voo com
aquela paz.
Estivemos cerca de dez minutos a falar.
- És de
onde? - perguntou.~
-
Torres Vedras.
-
Hum... e andas em que escola?
-
Externato de Penafirme...
- Então
e não há lá ninguém igual a mim?
Eu já
tinha reparado e sim, de facto são bastante parecidos quase tão parecidos
quanto os gémeos, mas são apenas irmãos.
- Então
e foste operada a quê?
- À
cervical.
- Sabes
Marta, nós temos muito em comum - e nesse momento voltou-se de costas de modo a
que lhe olhasse para a cervical- E também fui operado ao mesmo que tu!
Ao
deparar-me com aquela situação fiquei um pouco chocada, como é que aparece
assim do nada tão perto de mim e de tão perto de mim exatamente com o mesmo
problema? Depois senti ainda mais força, se ele ficou bem eu também iria ficar!
Continuei a ir à missa, tantos dias quantos havia, incluindo o dia 27 de Julho,
era a primeira comunhão de uma enfermeira e a bênção das famílias.
Ao ir
pedir a bênção, e antes de me dar, olhou para mim com aquele sorriso único e
disse:
- És
terrível, tinhas de cá estar para a bênção das famílias. Já viste quem está
ali? É o meu irmão!
Nesse
dia senti-me em casa!
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