Ao ouvir aquelas palavras o médico ficou com um brilho especial nos olhos e
pediu para que andasse para ele. Ao cruzar-se com a minha mãe, num dos
corredores, manifestou o seu espanto:
- Nem
sabe o que aconteceu à sua filha!
- O que é
que lhe aconteceu doutor?
- A sua
filha andou para mim!
Esta
noite todos dormimos bem, quer dizer, na medida dos possíveis!
E no
dia seguinte houve festa logo pela manhã! E lá vem a boa disposição pelo quarto
dentro! Super Doutora Ginjação e Doutor Batota, a minha segunda visita dos
doutores palhaço (Desde já um muito obrigada à Operação Nariz Vermelho por nos
colocar um enorme sorriso nos lábios!). Desta vez a visita teve direito a foto:
As minhas
melhoras eram notáveis a olho nu, era dia 24 e já conseguia fazer quase tudo
sozinha. Estes dias tornam-se angustiantes porque eu sinto-me perfeitamente bem
e continuo internada...
Quinta
feira e recebo a terceira visita dos doutores palhaço, mas desta vez
desiludi-me. Olhei pela janela e via alegria chegar por entre risos e
brincadeiras, saltitando pelo corredor com as enfermeiras. Quando chegaram à
sala das enfermeiras e olharam para o quadro onde está os nossos nomes, a cama
e as informações sobre o que temos, um dos doutores tirou a batatinha e olhou
para mim com ar de admiração. Palhaço sem batatinha não é palhaço!
A festa
veio a seguir:
-
Doutor adivinha o nome da Marta!
Pôs as
mãos na cabeça e começou a fazes movimentos circulares e ia dizendo
repetidamente "o nome da Marta"
- Ah,
já sei! É Joana!
- Não burro!
Adivinha o nome da Marta! - disse o outro.
Voltamos ao mesmo ritual ate que:
- Ah, já sei! É Filipa!
- Ah, já sei! É Filipa!
-
Também - disse eu.
-
Pronto o nome da Marta é Joana Filipa Também!
Despediram-se e foram embora.
Já era
dia 25 e estava farta de lá estar, mas não posso reclamar muito, eu era a única
paciente do hospital que fazia as três visitas diárias ao jardim!
Já era
quase dia 27 e eu começava a ver a minha vida a andar para trás, no dia 26 à
noite eu já andava bem sozinha, estava sem qualquer tipo de medicação, já tinha
passado o sacrifício de tirar os malditos pontos e fazia tudo sozinha! O médico
veio ter comigo, estava eu sentada na beira da cama de pernas cruzadas enquanto
que a minha mãe tentava jogar solitário spider:
- Então
como te sentes?
-
ótima.
-
Queres ir para casa não é? Olha lá a Ana disse que amanhã tens um casamento
muito importante. Se tivesses dito antes tinhas ido para casa. Agora já não
podes... A Ana era auxiliar na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos.
