segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A Notícia aos Amigos

  Nesse mesmo Domingo em que recebi as minhas belas visitas, levaram-me o computador e finalmente ao fim de algumas semanas poderia dizer a todos que estava viva e ainda tive direito a um miminho muito especial que recordarei com todo o carinho!
  Quando finalmente consegui pegar no computador e escrever aos meus amigos, nesse mesmo dia, decidi alegrar a notícia que para eles era terrível e para mim apenas uma banalidade do mundo da ciência. Aos meus amigos enviei:
  "Cucu é só para dizer que fui operada a dois tumores fofinhos na cervical, que me estavam a estrangular a medula e me prendeu os membros. Supostamente uma operação de alto risco onde eu deveria ter ficado, segundo o neurocirurgião, tetraplégica, mas sou tão ruim que já ando e nem passou uma semana". Recordo que levei um quarto de hora a escrever estas poucas linhas.
   Ao maestro, professor e amigo, no dia 23, enviei:
  "Bem era para dizer que não vale a pena mandar aquilo do aleluia que ela decidiu mudar. Na realidade nem sei se vou. Estou internada no Hospital Dona Estefânia, fui operada a dois tumores na cervical que me prenderam o movimento do lado direito do corpo e o lado esquerdo a começar. Agora já está bem e já consigo andar. Os médicos não tinham esperanças na minha recuperação e esperavam mesmo que deixasse de andar. Mas no domingo levantei-me da cama e comecei a andar, agora chamam-me Lázaro! Enfim, até setembro!" O que levei agora dois minutos a escrever, naquele dia, demorei trinta.
  Só depois vi, este e-mail teve resposta, uma resposta de alguém que ficou perplexo ao ler o que tinha escrito. "A miúda só pode estar a brincar!", "Ela leva a vida a brincar!", "Não, ela não ia brincar com uma coisa tão grave!".
  Dia 24, a mãe deixou-me no quarto e foi almoçar, aproveitei para fechar os olhos e descansar um pouco visto que só conseguia dormir de dia! Fechei os olhos, mas alguns minutos depois algo me disse que deveria abrir os olhos e assim foi, abri os olhos e olhei para o corredor e aí vinha ele, com o seu ar meio perplexo sem saber se era realidade ou se estava meramente a sonhar. E o maestro chegara. Sentou-se a beira da minha cama e logo foi repreendido. Uma das melhores visitas, não julgava que o fosse fazer, mas estava no e-mail, aquele que não vi! Veio por duas vezes e falámos dos projetos que teríamos a desenvolver este ano letivo e ainda me recomendou um livro abordando-o resumidamente "O Papalagui", todos deveríamos ler. Estava bastante entusiasmado com a leitura o que eu não sabia é que naquela cabeça estava programado um concerto que vamos fazer brevemente, eu já devia esperar! Afinal, ao longo destes sete anos aquele homem tem sempre mais para fazer! Das minhas visitas, sem dúvida das melhores! É sempre bom ouvir falar de música especialmente quando alguém maluquinho como eu acorda de uma operação e a primeira coisa a fazer é ver se consegue cantar!
  Estes quatro dias foram sem dúvida os melhores, mas já começava a fartar!

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