Para
passar da Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos para o serviço de
Neurologia/Ortopedia fui transportada numa maca. Na noite anterior o meu corpo
começou a dar mais sinais de movimento, para me voltar na cama já não foi
necessária a ajuda de um enfermeiro. Chegada ao meu novo quarto tiveram de me
trocar de cama, mas claro, mais uma vez não tinham força para me pegarem, então
deslizei entre as camas e tentativas de empurrar-me para a cama.
Cheguei
à enfermaria e estavam lá três meninos. Bolas, eu era a única rapariga! Um
menino de 12 anos com anemia e com outro problema na coluna, que já lá estava à
algum tempo, outro de 4 anos que foi operado ao nariz, se não estou em erro, e
um outro menino que já tinha ouvido falar na UCIP. Este último tinha caído de
um cavalo e danificou um rim.
Estava
sempre quieta na cama, contava aos outros o que me tinha acontecido e recebi a
primeira visita da fisioterapeuta e assim foi o meu primeiro dia.
O
segundo dia, sexta-feira, a fisioterapeuta foi-me visitar e pôs-me de pé junto à
cama com uma cadeira atrás. Os exercícios para o fim de semana seriam: fazer dois
ciclos de dez elevações da bacia, elevar os braços à cabeça (o braço
esquerdo estava a ficar mesmo bom e o direito já dava mais sinais) e pôr me ao
lado da cama com uma cadeira e sentar-me e levantar. Estes exercícios eram
apenas para o meu corpo não estar parado. Para ser franca durante o fim de
semana não fiz exercícios nenhuns, eu sentia-me cansada, com um peso enorme nas
pernas, não conseguia andar, não me aguentava de pé. Conclusão só fiz exercícios
na presença da fisioterapeuta. Mas sabem? A vontade de andar era superior a
tudo o resto.
No
domingo o meu médico apareceu e disse que tinha uma boa notícia! Iam-me remover
os medicamentos pelo sangue e ia passar a fazer medicação via oral e a boa notícia:
Eu podia ir de cadeira de rodas até à rua! Era a única paciente a ir à rua! E
assim foi, cadeirinha de rodas e rua, mas era trepidação de mais, por isso o
passeio durou 15 minutos. Cheguei à secção e o médico repreendeu-me dizendo que
era pouco tempo que deveria voltar para a rua. Explicámos-lhe a situação e ele
compreendeu. Entrei no quarto e a minha mãe perguntou se eu queria ir à janela,
mas eu não conseguia andar! Qual quê! Peguei em mim e no chumbo que tinha nas
pernas e fui até à janela. Depois da janela? Para a rua, claro! E nesse dia
tive as primeiras visitas, fui eu mesma buscá-las pelo meu próprio pé!
Dia
seguinte e o doutor apareceu à noite para gozar com a minha gola, como já tinha
hábito:
-
Doutor, já consigo andar!
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