Deduzo que,
muitos passem por aqui e fiquem a saber o mesmo. Outros, talvez, mais curiosos
já deram por si a investigar no vasto mundo virtual e talvez haja por aqui
aquele núcleo mais restrito que associa a palavra tumor a cancro! Talvez seja a
altura ideal para revelar que coisa é esta da neurofibromatose (“Neuro quê? Mas
que palavra tão complicada!”). Juro que não inventei nada e apesar de não ter
inventado nada, apelo a quem já andou a investigar para ter em atenção à
informação com que se deparou. Perdoem-me se usar alguma palavra complicada,
tentarei simplificar ao máximo! Ao longo desta nova caminhada, que de nova não
tem nada (afinal andou sempre comigo!), senti alguma necessidade de saber mais
sobre o assunto, mesmo com a apoio do médico, que sempre me deu apoio no
sentido de querer saber mais e por mim mesma. Então fui juntando uma série de
informação sobre o assunto que, imaginem vocês, culminou num apresentação na
disciplina de Biologia do 12º ano. Pois é, depois de muito pesquisar e antes
mesmo de partilhar convosco, tudo isto acabou por ser o tema do meu trabalho! Bem,
mas prossigamos com assunto. Tentarei abordar a neurofibromatose, no geral, mas
focando mais no segundo tipo desta desordem ou não fosse esse o nome do blog!
Neurofibromatose,
é o nome dado a duas desordens genéticas, o tipo I e o tipo II, que, apesar do
nome, têm poucas características comuns. Em algumas bibliografias é sugerida
uma terceira desordem, a Schwannomatose, mas pouco ou nada se sabe sobre ela.
Ambas as desordens originam tumores de crescimento muito lento, o que pode
levar à sua presença, durante anos, sem que hajam qualquer tipo de sintomas
associados.
A
Neurofibromatose Tipo I, pode ser chamada de Síndrome de Von Recklinghausen ou
Neurofibromatose Periférica, uma vez que a sua incidência se encontra a nível
do Sistema Nervoso Periférico (SNP). A do Tipo II pode ainda ser chamada, de
Neurofibromatose Acústica Bilateral, devido à presença de tumores nos nervos
acústicos, ou de Neurofibromatose Central, dado que a sua incidência é a nível
do Sistema Nervoso Central (SNC), em suma, encéfalo e espinal medula.
Relativamente
às suas características mais comuns, deixo-vos este quadro resumo:
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Tipo I
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Tipo II
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Incidência
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1/3000
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1/40000
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Herança
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Autossómica Dominante*
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Autossómica Dominante*
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Cromossoma afetado
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17
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22
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Sintomas
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Pele
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Manchas café com leite, efélides e neurofibromas
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Raras manchas café com leite e neurofibromas
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Olhos
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Nódulos de Lisch
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Opacidade Subcapsular do
Cristalino (cataratas)
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Tipos de tumores
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Neurofibromas, Gliomas óticos, Gliomas
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Neurinomas Acústicos, Schwannomas e Meninginomas
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Alterações cognitivas
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Distúrbio de Aprendizagem
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Nenhuma
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*Autossómica Dominante: Os homens e as mulheres são igualmente
afetados pela desordem; Tende a aparecer em todas as gerações; Quando um
indivíduo apresenta a desordem, pelos menos um dos progenitores também a apresenta;
Quando um dos progenitores é portador da doença, cerca de metade da sua
descendência pode ser afetada; Os heterozigóticos (em que apenas um cromossoma
do par apresenta a anomalia) manifestam a doença.
No
caso da Neurofibromatose se Tipo II, pode apresentar tumores benignos no oitavo
nervo do crânio, a sua expressão pode causar a surdez pela compressão do nervo
acústico. O cromossoma 22 é afetado no gene 22q12.2. Este gene é responsável
por codificar uma proteína, de nome Merlina ou Schwannomina. Esta proteína é
responsável pelas funções de supressão de tumores.
O
diagnóstico é baseado no histórico familiar, em análises genéticas, nas
manifestações do quadro acima e exames específicos – como TAC ou Ressonância
Magnética. A sua manifestação é comum ser na altura da puberdade ou mesmo no
início da vida adulta.
Frequentemente,
os primeiros sintomas são anomalias na audição, pela compressão do nervo
acústico e perdad de equilíbrio,
causadas por lesões no nervo que leva a informação do equilíbrio ao
cérebro. Menos comuns, temos a paralisia facial, problemas de visão, dores de
cabeça e problemas de pele. Em casos mais graves pode ainda ser sentida uma dor
forte no local afetado. A cirurgia é a forma mais comum de tratamento, mas
existem alternativas como a radioterapia ou a radio-cirurgia.
Tendo
em conta que o crescimento destes tumores é muito lento, é imperativo uma
vigilância contínua, feita com exames como ressonâncias magnéticas e
audiogramas.
Em
Portugal, temos a Associação Portuguesa de Neurofibromatose (APNF), que tem
como principais objetivos fornecer informações sobre a doença, em caso de
dúvida encaminhar para especialistas e a promoção de encontros entre pacientes
e ainda seminários sobre o assunto. Aqui podem encontrar um folheto da APNF que
resume o post.
