Neste dia, ao
"acordar" (e meto as aspas porque só dormi verdadeiramente na
primeira noite!) aconteceu o contrário do esperado. Acordei, levantei-me, tomei
o meu estranho banho de todos os dias, tomei o pequeno almoço, fui passear ao
jardim, voltei para o quarto e nada! Nem uma pequena gota atrevida o suficiente
para me atravessar a face, um pouco a medo! Estranho, porque isso acontecia a
maior parte dos dias desde que me sinto mesmo bem e naquele dia isso deveria
mesmo ter acontecido, era o dia que pior me sentia. Aquele dia em parte também
era meu. E era meu porque em parte me pertencem. Pertencem-me porque pertencem
ao meu coração e à minha existência.
O facto
de eu não poder passar as setas da Estefânia nunca deveria ter sido motivo de pensamento
de desistência. Ah, mas parte de mim também estava feliz, não era apenas a
revolta que habitava dentro de mim.
Havia
um pequeno grande motivo para eu ter força e posso dizer que ele foi uma parte
muito importante na minha recuperação. Se antes já era tornou-se muito mais no
momento daquele pequeno grande gesto. Esse também era o seu dia. Por ele estava
feliz. Havia outras duas pessoas que nesse dia me deixavam feliz. Esse foi
verdadeiramente o dia deles, o dia de uma família mostrar e unir, mais uma vez,
todo o amor que há dentro deles.
Adiar
por não estar presente é uma falsa questão. Eu estive sempre presente. Desde
estar na mente dos meus, a estar na mente deles, até ao ponto de ter deixado
tudo pronto com todo o amor que há em mim. Posso dizer que me custou muito o
facto de não estar presente fisicamente, mas mesmo assim fizeram questão que
estivesse presente.
O
relógio quase não andava era hora de jantar. Toca o telefone.
- Então
já és uma mulher casada? - perguntei.
- Já! -
do outro lado.
- Qual
é a sensação?
- É
boa! - com uma voz bastante feliz - A mãe está aí?
- Não,
foi jantar.
- Eu
ligo mais tarde.
Confesso que houve uma certa desconfiança perante esta pequena conversa.
Estava eu a jantar e tive de interromper para fazer mais uma visita
ao jardim, estranhamente a meio do jantar, pois "só uma ida ao
jardim". Desci a escadaria (sim eu não gostava ter de usar o elevador!),
cheguei à entrada do hospital e tive de esperar sensivelmente dez minutos e lá
vinham eles todos felizes. A minha mãe pensava que eu ia chorar e as lágrimas
fugiram-lhe foi a ela!
Dei por
mim com um bouquet igual ao da noiva, nas mãos.
- Mas
eu só pedi um daqueles raminhos que se metem nos bancos!
Consegui
que os meus amigos fossem tocar, e eu não! Comprei o vestido três meses antes e
não o usei! Marquei o cabeleireiro e agora nem suporto que me mexam na cabeça!
Não fui, mas estive lá!
- Ah,
ganhaste o ramo da noiva? Agora vais ter de casar n'um ano se não vais ter
azar! - Aquele sotaque espanhol dá cabo de mim!
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