sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Tão Esperado Dia

  Neste dia, ao "acordar" (e meto as aspas porque só dormi verdadeiramente na primeira noite!) aconteceu o contrário do esperado. Acordei, levantei-me, tomei o meu estranho banho de todos os dias, tomei o pequeno almoço, fui passear ao jardim, voltei para o quarto e nada! Nem uma pequena gota atrevida o suficiente para me atravessar a face, um pouco a medo! Estranho, porque isso acontecia a maior parte dos dias desde que me sinto mesmo bem e naquele dia isso deveria mesmo ter acontecido, era o dia que pior me sentia. Aquele dia em parte também era meu. E era meu porque em parte me pertencem. Pertencem-me porque pertencem ao meu coração e à minha existência. 
  O facto de eu não poder passar as setas da Estefânia nunca deveria ter sido motivo de pensamento de desistência. Ah, mas parte de mim também estava feliz, não era apenas a revolta que habitava dentro de mim. 
  Havia um pequeno grande motivo para eu ter força e posso dizer que ele foi uma parte muito importante na minha recuperação. Se antes já era tornou-se muito mais no momento daquele pequeno grande gesto. Esse também era o seu dia. Por ele estava feliz. Havia outras duas pessoas que nesse dia me deixavam feliz. Esse foi verdadeiramente o dia deles, o dia de uma família mostrar e unir, mais uma vez, todo o amor que há dentro deles.
  Adiar por não estar presente é uma falsa questão. Eu estive sempre presente. Desde estar na mente dos meus, a estar na mente deles, até ao ponto de ter deixado tudo pronto com todo o amor que há em mim. Posso dizer que me custou muito o facto de não estar presente fisicamente, mas mesmo assim fizeram questão que estivesse presente.
  O relógio quase não andava era hora de jantar. Toca o telefone.
  - Então já és uma mulher casada? - perguntei.
  - Já! -  do outro lado.
  - Qual é a sensação?
  - É boa! - com uma voz bastante feliz - A mãe está aí?
  - Não, foi jantar.
  - Eu ligo mais tarde.
  Confesso que houve uma certa desconfiança perante esta pequena conversa.
   Estava eu a jantar e tive de interromper para fazer mais uma visita ao jardim, estranhamente a meio do jantar, pois "só uma ida ao jardim". Desci a escadaria (sim eu não gostava ter de usar o elevador!), cheguei à entrada do hospital e tive de esperar sensivelmente dez minutos e lá vinham eles todos felizes. A minha mãe pensava que eu ia chorar e as lágrimas fugiram-lhe foi a ela!
  Dei por mim com um bouquet igual ao da noiva, nas mãos.
  - Mas eu só pedi um daqueles raminhos que se metem nos bancos!
  Consegui que os meus amigos fossem tocar, e eu não! Comprei o vestido três meses antes e não o usei! Marquei o cabeleireiro e agora nem suporto que me mexam na cabeça! Não fui, mas estive lá!
  - Ah, ganhaste o ramo da noiva? Agora vais ter de casar n'um ano se não vais ter azar! - Aquele sotaque espanhol dá cabo de mim!

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